segunda-feira, 21 de maio de 2012

Monarco, um presente de aniversário


Q
ue me perdoem os demais, mas não posso deixar passar este mês de maio. O tempo passa e nada mais justo do que comemorarmos, ou bebemorarmos, o dia em que chegamos nesse plano. Cada ano que passa deve ser visto como uma verdadeira vitória.
Durante algum tempo nominamos cada aniversariante a cada mês que passava. Foram várias msg, parabéns e lembranças de momentos alegres e até mesmo pitorescos.
Resolvemos mudar um pouco o rumo e as msg se concentraram nos email. É o estilo de nossa turma. A conversa mais imediata pelo email ainda é a preferência e temos que respeitar isso, no entanto o blog continua e vai continuar vivo. É nosso ponto de encontro.  Nosso “museu de lembranças”, e enquanto Drinks e Kibe estiverem por aqui, tenho a certeza que muita coisa ainda será dita e guardada, tanto para matramos nossas saudades quanto para que nossas gerações seguintes possam conhecer um pouco do que nós fomos e somos até os dias de hoje.
No início do mês recebemos a msg do Xiquinho:

Presidente Zé Drinks e demais amigos,
Convido a todos para comparecerem no Bar do Planetário da Gávea - Astrobar - nesta sexta-feira, dia 04 de maio,
para comemoração do meu aniversário. 
Abraços
Chico

Foi o suficiente para despertar a galera.  Várias manifestações.  Infelizmente poucos conseguiram comparecer ao evento mas temos a certeza que cada um de nós estava presente nos pensamentos para um amigo tão querido.
Além do Xico, também pensava numa comemoração para o meu aniversário, dia 15. Queria uma reunião especial. A primeira idéia, amadurecida há algum tempo, seria num barzinho em Botafogo com uma roda de samba de uns amigos de Niterói. A outra opção, aquele churrasco de sempre e provavelmente na casa de nossa amiga Bel que cansa de nos convidar e ainda não a visitamos.
No entanto não consegui desenvolver nem uma nem outra idéia e a razão é simples,  minha filha está viajando e não consegui pensar uma festinha que fosse sem a presença dela, meu genro e minha neta. Fica para o próximo.
Mas a história não acabou assim. Durante a degustação (de cachaça) do mês passado recebemos o convite para a inauguração do “Samba das Palmeiras”, uma roda de samba com o gropo Só Raiz, comandada por Bira da Vila, no Espaço Cultural do Mussarela, companheiro fiel de nossos encontros no Tonel & Pinga.  
Eu, Dellaney e Nelson, um grande amigo de Niterói e já conhecido de vários confrades da Correa Dutra, resolvemos ir ao evento, seria, e foi, a comemoração de meus 58 anos. Faltou o Vice-Presidente, Frango, sempre presente nesses eventos “extraordinários”, mas que por um daqueles desencontros não conseguiu nos acompanhar.
O local é um pouco distante, na periferia de Duque de Caxias. Muito verde, decorado com palmeiras novas e caprichadas, salão espaçoso e a presença de várias pessoas conhecidas de nossas degustações, além desses dois inseparáveis amigos de longas datas.  O Della, sem comentários, são mais de 50 anos de muitos drinks, conversas e confidências, e Nelsinho, muito mais do que um vizinho, é um outro quase-irmão, com quase 20 anos de companheirismo e de uma amizade que passou de nós para nossos filhos e com certeza, seguirá por nossos netos.
O Mussa caprichou no local.  Cachaça de primeira, cervejinha bem gelada e para salgar a boca, “vaca atolada” e “angu à bahiana”. bom ou quer mais?
Fomos de ônibus, claro, pois ninguém queria ser o piloto da vez. Viagem tranqüila numa bela tarde de sábado, sem problemas de Lei Seca nem de trânsito chato para dirigir. Valeu a opção.
E além de tudo isso, veio o presente. O privilégio de ouvir e poder abraçar  um dos grandes sambista de todos os tempos, Monarco, o líder da Velha Guarda da Portela. O responsável por grandes noitadas daquele Mourisco que tantas saudades nos trás.
O grande sambista, que aos 17 anos já fazia parte da ala dos compositores mas nunca emplacou um samba-enredo. Sua especialidade sempre foi o samba de terreiro, ou de quadra, além da qualidade ímpar como intérprete que o destaca ainda hoje, dentre vários outros compositores renomados.
Monarco é autor de clássicos como " Passado de Glória", gravado e regravado por diversos intérpretes, até hoje é cantado nos ensaios da Portela.

Portela, eu às vezes meditando, quase acabo até chorando
Que nem posso me lembrar
Teus livros têm tantas páginas belas
Se for falar da Portela, hoje não vou terminar
A Mangueira de Cartola, velhos tempos do apogeu
O Estácio de Ismael, dizendo que o samba era seu
Em Oswaldo Cruz, bem perto de Madureira
Todos só falavam Paulo Benjamin de Oliveira
Paulo e Claudionor quando chegavam
Na roda do samba abafavam
Todos corriam pra ver
Pra ver, se não me falha a memória
No livro da nossa história tem conquistas a valer
Juro que nem posso me lembrar
Se for falar da Portela, hoje não vou terminar  

Sua qualidade como intérprete foi logo percebida quando, em 1976, lançou o seu primeiro disco solo.  “O Quitandeiro” e “Lenço”, consagraram não apenas aquele sambista elegante, de voz grave e afinada, mas também vários outros nomes da Música Popular Brasileira. 

Quitandeiro, leva cheiro e tomate 
Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão
Prepara a barriga macacada 
Que a boia tá enfezada e o pagode fica 
Chega só 30 litros de uca
Para fechar a butuca
Desses negos beberrão
Chocolate, tu avisa a crioula
Que carregue na cebola e no queijo parmesão (BIS)

Mas não se esqueça
De avisar a nêga Estela
Que o pessoal da Portela
Vai cantar partido alto
Vai ter pagode até o dia amanhecer
E os versos de improviso
Serão em homenagem à você
...
Se o teu amor
Fosse um amor de verdade
Eu não queria e nem podia
Ter maior felicidade
Com os olhos rassos d´água, me chamou
Implorando o meu perdão, mas eu não dou
Pega esse lenço, vai enxugar teu pranto
Já enxuguei o meu, o nosso amor morreu
Seguirei a ordem do meu coração
Não me fale de amor, nem tampouco me peça perdão
Eu não vejo honestidade em teu semblante
Falsidade isso sim eu vi bastante
Pega esse lenço e não chora
Enxuga o pranto, diga adeus e vá embora

Gravou outros sambas de sucesso e, em  1995, o CD “A Voz do Samba” atravessou fronteiras, e no Japão Monarco foi premiado como melhor cantor em seu gênero musical.
Para alegria de todos, e principalmente de Nelsinho, um fã confesso do grande sambista, Monarco foi sempre gentil, simpático e incansável nos flashes de máquinas e celulares. 



Como gosto de dizer, foi “um espetáculo”. Um aniversário inesquecível.

E um obrigado especial para os amigos, Dellaney e Nelsinho, sem eles, com certeza esse dia não seria o mesmo. 















Para fechar, um brinde aos aniversariantes de maio e "Drinks no sapatinho" para a galera apreciar.
video

segunda-feira, 7 de maio de 2012

AULA DE POLÍTICA – aconteceu entre 1643 e 1715


A
 maioria de nossos confrades são nascidos a partir de 1954, com alguns poucos remanescentes ao período 1950-1954, o que significa dizer que na Revolução de 64, nossa turma era formada por garotos e garotas na faixa de 10 anos de idade. As preocupações para nós, naquela conturbada época, eram as peladas (de bola, claro), as primeiras festinhas e as tradicionais fofoquinhas femininas que já davam o ar da graça e estão presentes até os dias de hoje, claro. 

Em 1970, no auge da repressão, o mais importante para nós era curtir os Festivais de Música e vibrar com a Copa do Mundo. Os jogos das eliminatórias e a própria Copa, as músicas da Jovem Guarda, os Beatles e Rolling Stones, o cinema novo, foram momentos que hoje sabemos ajudaram o Governo militar a encobrir os movimentos políticos e subterrâneos que hoje conhecemos um pouco mais. Era uma turma, que na faixa de 15/16 anos, tinha clara preferência pela alienação política.
Não fossem raríssimas exceções, que não avançaram além de pequenas manifestações estudantis e a efetiva participação de uma militante de esquerda (armada), conhecida por alguns de nós, pouco teríamos para contar desse conturbado período de nossa história.
Hoje, quando estamos próximos aos 60, temos a consciência de que fomos, e ainda somos, a principal força motora do país.  Dizíamos não gostar da política, o que é confirmado ao percebermos que não conseguimos enumerar mais do que 2 ou 3 nomes de amigos e/ou conhecidos que engajaram nessa linha de ação.
Formamos diversos profissionais, atletas e até artistas. Para nossa alegria, raros foram os casos daqueles que ficaram à margem da sociedade. Sofremos com os tempos mais difíceis e hoje somos testemunhas de que o Brasil cresceu, mudou, e nos dá esperança por dias melhores.
E mesmo assim, talvez decorrente de nosso próprio comportamento ao longo desse tempo, é evidente que o perfil de nosso grupo é mais de comentaristas do que ativistas (partidários) e como dito anteriormente, poucos são aqueles que estão engajados em Partidos, sejam como políticos (candidatos) ou mesmo militantes.
Ao longo do tempo reclamamos de muita coisa.  Dos militares e sua longa duração no poder. Da inflação, que hoje está mais controlada.  Dos impostos, que nos elevam a uma situação até constrangedora perante diversas outras nações. Da corrupção, que parece não ter fim. Dos políticos, cuja preocupação principal nos parece ser a tendência de fazer do Congresso uma verdadeira fábrica de enriquecimento próprio. E apesar de tudo isso, ou por isso, optamos por deixar a vida nos levar para longe desse complexo jogo de poder, onde até o voto é um ato obrigatório, que no meu entender mascara a vontade do povo.  
E nesse sentido, recebi pela Internet um texto que expressa bem o que passou, o que está passando, e pelo visto, o que vai se passar ainda por um bom tempo.  Uma pequena aula de política, escrita entre  1643 e 1715, porém pertinente e extremamente atual.


UMA AULA DE POLÍTICA

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Rio de Janeiro - mais do que uma cidade, uma paixão!


O filme de Keith Loutit e Jarbas Agnelli mostra um interessante olhar sobre o Rio de Janeiro, sua gente, seus lugares, de quem é de fora da cidade. Tudo sincronizado lindamente com uma trilha musical perfeita.