segunda-feira, 24 de outubro de 2011

63/.../75 DIAS – 13 dias de casa. Cada dia melhor.



13
dias de casa.  Cada dia melhor. Cada dia mais forte, mais ágil, mais falante e claro, mais palavrões. A primeira dificuldade é a natural adaptação a uma nova situação. Cadeirante, e sem condições de se locomover sozinho, é uma fase em que a ajuda da família é fundamental e é o que ele mais recebe nesse momento. Em paralelo, a peregrinação para o INSS. Cada dia um carimbo novo, uma assinatura diferente, um caminho difícil, burocrático, em oposição à necessidade de quem precisa. Todos nós envolvidos e somente dez dias depois tudo se resolve. Enquanto isso o Byra se supera. Conversa melhor, se alimenta com mais desenvoltura e sua memória está cada vez mais ativa. O ombro e a perna ainda são problemas e seu médico, Dr. Antero, diz que ele tem que agüentar e que no momento a preocupação maior é em acertar seu tratamento neurológico.  Seu lado esquerdo está comprometido, precisa de fisioterapia direcionada antes de qualquer cirurgia. Os bancos fazem parte de uma outra aventura. Alguns dificultam mais, outros menos, e o próprio Byra toma a dianteira. Junto com Érika vai na agência e mesmo com algumas dificuldades resolve a situação. É uma vitória. Alguns drinks e o Byrão dorme tarde na comemoração.
Sábado, 15 de outubro, uma comitiva em sua casa. Grupo de charuteiros o visita. São vários companheiros que o presenteiam com um legítimo cubano. Uma baforada e uma surpresa.  Chega Dr. Antero e acaba com a festa. Nada de tumulto, nada de álcool e nada de charuto, pelo menos por um bom tempo.   
Uma semana depois, 74 dias de sua nova vida.  Arrisca alguns passos e almoça em um restaurante perto de casa. Reclama de alguma dificuldade com a mão esquerda. Está cada vez mais consciente de suas limitações e mostra disposição para enfrentá-las. No domingo, sua preocupação foi com o futebol. Juntos fizemos uma simulação para o Campeonato.  Sorri a cada resultado que prevê para a sua mulambada. E para campeão não poderia ser outro senão o próprio Flamengo, que apenas escrevo como uma homenagem à sua própria vitória. Foi uma tarde ótima, que além de nossa visita, eu e Sonia, do Byrão e Helena, a "boadrasta", outros amigos apareceram, mas sem charutos, claro. Agora se prepara para iniciar a fisioterapia e manda um recado:
- Zé, avisa o pessoal que estou em casa, podem vir que eu estou por aqui...
Agora a história é também com vocês.  Um telefonema, uma vista, um cartão e em muito breve, um email, com certeza o fará mais feliz.  Não vamos deixar de escrever, mas vamos deixá-lo avançar um pouco mais e dentro de alguns dias voltaremos com notícias, sempre melhores, pois cada dia será sempre melhor do que o anterior.            

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

os PARABÉNS de setembro e outubro

A
gosto e setembro serão meses inesquecíveis, assim como o próprio ano de 2011. Na verdade preferimos nos lembrar não pelo lado ruim mas sim pelo que deixou de bom, ou seja, além do renascimento, da demonstração de garra e vontade de viver do Byra, uma fantástica união, verdadeira corrente de elos fortes e inquebráveis, de amigos fiéis e duradouros. Um tesouro que se valoriza a cada dia que passa.
E passado um pouco da tempestade, agora cuidamos de arrumar a casa, e tem muito o que fazer. É uma vida nova, de novos desafios e cedo ainda para ver a extensão dos problemas, que torcemos para que sejam poucos.
Mas a caravana passa e “Drinks & Kibe” comemora seu terceiro aniversário, dia 28, em conjunto com um grande grupo de amigos nascidos em setembro e outubro:
Setembro,    dia   3         Laura, Helena e Humberto (Dellaney)
                   dia 11         Lívia (Dellaney)
                   dia 12         Ana (Frango)
dia 19         João (neto Tadeu)
                   dia 19         Sandra (Dellaney)
                   dia 20         Sonia (J Drinks)
                   dia 21         Juira (ex- Zé Franguinho)
                   dia 28         Drinks&Kibe (blog)
dia 29         Cassiano (Cássio Pinga)
Outubro,      dia  4          Tuta “Leo”
                   dia  6         Sérgio “Moita” Maciel
dia  7          Santalucia
                   dia  7         Rose
                   dia  7         Alexandre “Peninha”
                   dia 11        Betinho “PQD”
                   dia 13        Paulo “Godá”
dia 16         Amaro
E para presentear não somente essa turma privilegiada, mas todos nós, inclusive o próprio blog, nosso parceiro Kibe preparou um belo texto em que homenageia, como gosta muito de fazer, as meninas-mulheres de nossa turma.  Para tanto ele selecionou algumas que até hoje estão ao nosso lado, cada uma do seu jeito de ser, e que podemos afirmar, sem medo de errar, que representam o que temos de melhor em nossa Confraria.  
“Não sou um expert na alma feminina, e quero deixar isso bem claro, logo de início. Mas tem coisas que a gente percebe, se admira e tem obrigação de dizer. Ainda mais por tratar-se de pessoas que tem nossa afeição e admiração, desde os tempos das calças cocota.
Ahhhh...os anos 70! Uma época marcante em nossa memória e que algumas meninas de ontem tornaram-se mulheres e se destacaram em sua vida profissional, na sua maneira de ser e de ver a vida e mostrar com exemplos a transformação que a vida nos oferece. Destino? Sei lá? Não acredito nisso. Acredito na garra de algumas de nossas “meninas”, na perseverança na luta do dia a dia, no amor que emana de seus corações e do altruísmo posto a à prova ao longo destes anos.
Falar sem conhecer o íntimo, não é fácil. Mas falar do que vemos, mesmo de longe, das atitudes, da vivência na trajetória de vida, do que estamos (re)vendo hoje em dia pelas nossas prozas na lista, é mais fácil. É “ver” aquilo que nos mostram, mesmo que seja um pouquinho. É abrir corações e mentes no bom humor que este reencontro nos proporciona.
Nestes pouco mais de 30 anos que nos separam de nossa juventude, muitas coisas aconteceram no mundo. Fatos marcantes na vida do planeta, e na nossa; fatos trágicos, fatos de sublimes felicidades, nos encontros de nossos pares, nas dádivas de Deus quando da chegada de nossos rebentos e dos filhos destes – nossos netos, na perda de nossos amores, na descoberta de outros amores; enfim, cada um teve seu momento de vida marcado por emoções, realizações e sonhos.
Das “meninas“ que falarei, peço desde já, desculpas. Pois está sujeito eu não falar tudo que sinto mas que considero importante ter nos registro de nossa história contada aqui no blog.
Que bom vê-las hoje em dia, de uma forma tão boa, fazendo sucesso em suas respectivas áreas profissionais ou simplesmente demonstrando seu amor por filhos netos e amados; e temos assuntos pra contar.
Rose Pedersoli-Fuhmann, ou simplesmente Rose. Nossa querida Rose, chegou bem jovenzinha com Sonia, sua irmã, na Correa “de baixo”, as duas loirinhas, filhas de militar mas nem por isso menos cobiçadas pela “macharia” ávida do frescor da juventude.
De espírito aventureiro, casou jovem com Serginho “Pequeno”. O casamento durou pouco, mas gerou uma linda filha e com ela se foi para a Alemanha. Casou-se novamente. E o que era um prenúncio de uma felicidade eterna, infelizmente não aconteceu assim. Seu marido faleceu e anos mais tarde um novo amor bate à sua porta. Já avó, seu espírito aventureiro fez com que se tornasse uma profissional na área do turismo, estabelecendo uma ponte-aérea Alemanha-Cuba, que tem sido motivo de inveja para alguns de nossos amigos.
Mas se tem alguém de coragem, pelo menos explícita, essa é Isabel. Morava na Correia de cima, mas apesar de não andar com a maioria do pessoal, era vista e admirada pela maioria. Alguns detalhes anatômicos chamavam a atenção da rapaziada – seus olhos claros, seu sorriso largo e bem...deixa pra lá, o terceiro item.
Tornou-se empresária, no ramo de biquínis. Lembro-me que cheguei a visitar seu site a uns 5 anos, mas depois perdi contato. E quando menos espero, fico sabendo que agora a Bel era proprietária de uma sex-shop!!! Confesso que a ousadia é grande, mas talvez a visão empresarial seja maior, pois este é um ramo pouco explorado e talvez se ela tivesse aberto uma padaria, não faria um diferencial no mercado carioca. Vale deixar registrado que possivelmente, eu e Zé, deveremos fazer uma matéria especial para o blog. Aguardem!
Nossa Cecé, simplemente ou Aracélie Mayerhoffer. Desde que li seu nome, de imediato achei que parecia nome de avenida, lá na Barra da Tijuca. Tinha que ser lá, né mesmo? No Méier, esse nome não faria sucesso.
E foi legal, saber por onde ela andava depois de “trocentos” dias sem vê-la. Agora Dra. Aracélie, nossa querida amiga é dentista e faz parte de uma Ong que tem por objetivo atender jovens carentes que necessitam de tratamento dentário. Desde o ano passado, Cecé é escolhida como um dos finalistas à escolha do melhor profissional do ano; e este ano mais uma vez seu nome já está entre os 50 melhores profissionais da área. Conheçam a turma dela: www.turmadobem.org.br
Parabéns, minha querida! Você é dez, não só por estar entre os melhores, mas pelo seu altruísmo em auxiliar quem precisa. E são tantos, por este mundão de meu Deus!
Érika. Nome de origem escandinava e talvez por isso a calma (ou frieza) em superar adversidades. O significado do nome, pouco importa nessa hora, mas o que nossa querida Érika passou, nos dois meses que se passaram, demonstraram o quanto Byra tem sorte. Muita sorte.
Ter uma companheira (no sentido lato da palavra) igual a Érika, é para poucos. O merecimento de ter alguém a zelar por sua saúde, a ser forte quando às vezes, o cansaço e a emoção podem lhe trair, é um merecimento que extrapola qualquer imaginação.
Érika, também era da Correa de baixo. Outra menina com espírito aventureiro (essas meninas da Correa de baixo eram do balacobaco, hein!?), Casou-se pela primeira vez com artista plástico, com quem teve duas filhas. Separou-se. Casou-se mais uma vez; desta vez com um empresário. Teve mais uma filha. Esta mora nos EUA. Seus três netos são sua alegria. Foi dona de restaurantes, sendo que um na Ilha da Madeira (que chique!). Separou-se mais uma vez. Casou-se mais uma vez. Desta vez com um primo. Não deu certo. Byra, teve a sorte de encontrá-la, então. Com ela tem passado seus dias (e que dias!).
Recebemos um e-mail do Zé, narrando o acontecido com Byra. Ler o e-mail, parecia que o chão se abria e aumentava a ansiedade para terminar de lê-lo para saber o final da novela. Tinha que ter um final feliz. Caramba!
Soubemos pelos e-mails, que Érika estava ali. Presente praticamente em todos os momentos. Incansável. Pelo menos parecia. Transparecendo uma calma que talvez seja o contraponto que faltava ao nosso amigo Forte – Teimoso – Cabeça dura.
Ah! Érika, vieste em missão! “Aturar” esse amado, não é tarefa para qualquer uma. Tinha que ser você. Tem que ser você. Nossa gratidão por isso e nosso desejo que vocês sejam felizes, um ao lado do outro, para sempre e sempre. Amém!”


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ENCONTRO 2011 - ATA DA ASSEMBLÉIA


A
os cinco dias do mês de outubro do ano de dois mil e onze, devidamente convocados por edital, os confrades e/ou procuradores que assinaram o livro de presença (infelizmente perdido) reuniram-se em Assembléia Geral Extraordinária, em local secreto e ignorado, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: 1- Encontro da Confraria 2011 – Dia e Local. Às dez horas e vinte e dois minutos, o Presidente cumprimenta os presentes, agradece a presença de todos e comunica que a Assembléia está aberta. Eleito por unanimidade para a Presidência da Mesa, o Sr. J.Drinks convida para secretariar a reunião, o Sr. Frango Del Macumba. Após os drinks iniciais, o Sr. Presidente passa à Ordem do Dia. Convoca os presentes para novos drinks, digo, para  a definição do Dia e Local do ENCONTRO de 2011. O Sr. Presidente apresenta para os presentes o resultado da Enquete disponibilizada no blog “Drinks&Kibe” e encerrada no último dia 30/09/2011. Por ampla maioria dos votos recebidos (87% ) foi indicada a data de 11/11/11, segunda sexta-feira do próximo mês de novembro.  O local foi definido por aclamação como o já tradicional CATETE GRILL. A Comissão composta pelo Sr. J.Drinks e o Sr. Frango Del Macumba, após novos drinks e considerações, avaliou o resultado da Enquete e a escolha do local e passou para a sanção do Presidente J Drinks, que assim o fez em nome da democracia com que rege a Confraria e declarou: “se é para o bem de todos e a felicidade geral dos confrades, o Encontro de 2011 está oficialmente marcado para o próximo dia 11 de novembro, sexta-feira, a partir das 19 horas, no restaurante CATETE GRILL, onde prestaremos as devidas homenagens ao nosso confrade BYRA, que FORTE, TEIMOSO e CABEÇA DURA, com certeza se fará presente”.  Encerrada a Ordem do Dia, o resultado foi brindado com drinks especiais e comemorativos. Os Srs J. Drinks e Frango Del Macumba, Presidente e 1º Vice-Presidente para os exercícios de 2011 e 2012, como previsto pelos ASD (Atos Secretos e Destruídos) de nº 6,7 e 8, receberam merecidos aplausos e vários drinks em reconhecimento ao brilhante trabalho desenvolvido. Sem outros assuntos , o Sr Presidente agradeceu a presença de todos em mais uma concorrida Assembléia e desejou muitos drinks para todos. Para constar, eu, Frango Del Macumba, Secretário da Sessão, às dez horas e vinte e três minutos, lavrei a presente Ata, que vai assinada por mim e pelo Exmº e Magnânimo Sr. J Drinks, Presidente da Assembléia.


Frango "Juca Melão" Del Macumba
Secretário

J.Drinks
o Presidente

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

60/61/62 DIAS - conversa justa e perfeita


60/61/62 dias - domingo de sol, de Fla-Flu e o primeiro depois de 60 dias de batalhas e conquistas. O Byra dorme muito melhor e amanhece com outra cara. Até a dor no ombro parece diminuir. O retorno ao lar é realmente uma "maravilha", como dito por ele no dia anterior. O apetite é outro e tudo indica que em muito breve estará em condições de fazer as cirurgias ainda necessárias. Na parte da tarde a visita de Fábio, amigo de infância, e a conversa gira em torno de um FlaxFlu cujo resultado parece ter sido em sua homenagem. Claro que não deixou de me sacanear. Não perdeu tempo em ligar e perguntar "se tinha gostado do Mengão", fato que prefiro não comentar.
Segunda-feira, dia 10 de outubro, mais um dia especial. Cecília, a enteada, o leva na cadeira de rodas para passear pela calçada. Na padaria, um sorvete para matar a vontade e na pet, onde compra ração para seus animais, reencontro com amigos que o cumprimentaram com muita emoção. No retorno, a tentativa de ler no jornal as notícias daquele jogo (ugh!) de ontem. A vista ainda incomoda mas com uma lupa na mão consegue ajustar o foco. Ainda não é confortável para uma leitura mais sequencial. Entende que é necessário exercitar e tem confiança de que tudo é apenas questão de tempo. Almoçamos e foi possível ver a recuperação do apetite, bem diferente de quando rejeitava a "sopinha diária" daqueles dias internados. Para fechar o dia, sua teimosia quase o prejudica. Num ato típico de sua "cabeça dura", caminhou sozinho do quarto para o banheiro e por pouco não se acidenta.  Foi só um susto, sem maiores consequencias, graças à rápida interferência de sua fiel escudeira, que tão logo percebeu aquela figura no banheiro correu para ajudá-lo e chegou no momento certo em que se desequilibrava. Passado o susto, recebeu dele a "promessa" de que teria calma e iria se comportar.  É pagar para ver, claro.
A terça foi o dia mais calmo. Café da manhã, almoço e até mesmo um bom comportamento. Brinca com os netos e recebe, no fim da tarde, a visita do Byrão, que passou o dia ansioso e emocionado, pois no dia anterior tinha recebido um telefonema direto do Byra. Ele mesmo ligou e conversou com o pai. A pressão alta não foi suficiente para conter a alegria e a conversa que  terminou de uma forma justa e perfeita, como não poderia deixar de ser.
    

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

56/57/58/59 DIAS - benvindo sinhozinho


56/57/58/59  DIAS - quarta-feira, dia 5 de outubro, o quadro não mudou muito. O ombro dolorido ainda é o maior problema. Os médicos aguardam o resultado dos últimos exames. Nada de precipitação embora a ansiedade seja imensa. Mais comportado, Byra sabe que em muito breve estará em casa. A noite, diferente dos dias anteriores, é bem mais tranquila.

Na quinta, pela manhã, a notícia esperada, os exames estão ótimos e falta muito pouco para a alta. Érika e Byrão não escondem a felicidade. São 57 dias de uma agonia, de luta e esperança por dias melhores. O tempo passa, e no fim de tarde a alta finalmente foi dada. 
Betinho Chahaira, de Bela Vista do Paraíso, no Paraná, amigo inseparável, o visita com a filha e fica gratificado com o que vê. Amanhã de manhã o médico deverá passar para retirar o "acesso" (um agulha espetada em sua virilha para receber diretamente na veia o antibiótico e o soro) e ser liberado. É só alegria. 

Sexta-feira, 7 de outubro, 58 dias de hospital.  É o dia de ir para casa. Mas, "tem sempre um mas pra sacanear", o médico não comparece na visita da manhã. Byra se torna mais impaciente, reclama muito, mas infelizmente nada se pode fazer a não ser esperar. Por volta das 18 horas, o médico chega, conversa muito e confirma a alta para a manhã do dia seguinte. Uns amigos o visitam com uma homenagem, se é que pode se chamar assim, a entrega de uma camisa do (ugh!) Flamengo autografada pelos jogadores, e entregue pelas mãos de um tricolor, pelo menos isso para amenizar.

Sábado, 8 de outubro. São 59 dias no hospital e pronto para ir para casa. Como disse a Érika", ele está um "anjinho".  Acordou cedo, tomou banho, café e aguarda a liberação. Um dia para não ser esquecido. Na cadeira de rodas se despede dos enfermeiros, em especial das enfermeiras que fizeram questão de acompanhá-lo. Um taxi especial é chamado e se atrasa por mais de meia hora. Uma pequena conspiração do destino para que este momento seja ainda mais valorizado.  Do lado de fora, na calçada, um pequeno passeio o faz rir, mudar o
semblante, para melhor, claro, mas continua a reclamar da dor no ombro, incomodo que será logo tratado. O atraso na chegada do taxi parece uma peça do destino para que em nossas mentes passe o filme dessa aventura. São 60 dias em alguns minutos. Da tragédia, quase fatal, a um momento de alegria que nos dá vontade de pular e comemorar. Do olhar desesperado de um pai ao ver o filho deitado, desfigurado no meio da rua, ao abraço terno e carinhoso com a certeza de que o pior já passou. A chegada do taxi especial nos acorda para a realidade, para as marcas da violência urbana e para a comum, e quase sempre impune, omissão de socorro. 
"Seja benvindo sinhozinho, nós te amamos", assim o Byra foi recebido em casa, com um cartaz escrito com muito carinho pela Rose, sua "escrava diarista", como ele a costuma chamar, num tom maior de brincadeira, amizade e gratidão, agora bem retribuído neste momento tão especial.

Fecha-se um ciclo. Amanhã é uma nova era. Não temos dúvidas de que a guerra continua, que outras batalhas virão, mas fica a certeza de que nosso Guerreiro FORTE, TEIMOSO e CABEÇA DURA, saberá driblá-las como no seu tempo de criança e correr para o abraço de uma justa e merecida vitória.  

E para comemorar, ou melhor, "bebemorar", um 
merecido drink na nossa Correa Dutra, pois ninguém é de ferro.

E amanhã tem mais, tem muito mais ...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

54/55 DIAS - o Byra está de volta...


54/55 DIAS - segunda é dia de ouvir os médicos. Os resultados dos exames confirmam que a infecção praticamente cedeu. A parte ortopédica mantém a posição de que a cirurgia do ombro não deverá demorar. A médica neurologista confirma que o quadro é bom e que o tempo é o remédio para suas melhoras. Byra, mais consciente, questiona sobre as dores no ombro e no joelho e a resposta do amigo-médico Antero, é de que ele ainda vai sofrer um pouco com isso. Mais tarde o Byra confidenciaria de que os "médicos são fod..., não são eles que estão com dor", o que náo há como contestar. Ensaia alguns passos de forma independente, e mesmo com a dor, é possível perceber seus avanços.  Pede para comprar um jornal e constata a dificuldade na leitura. Sua vista esquerda está realmente prejudicada, fato também avaliado pela neurologista mas que ainda é cedo para uma avaliação final. Um dia de muita expectativa, de boas notícias e  de uma noite mais tranquila, para ele e claro, para todos nós.
55 dias de internação e além dos probleminhas médicos, que caminham de forma bem adequada, em contrapartida, o INSS é um show de burocracia e sempre falta um documento para o "carimbaço" final. Mas quanto ao paciente, impaciente, continua a reclamação da "sopinha" do almoço e continua a não se alimentar como deveria, no entanto, Cecília, filha da Érika, oferece uma opção aceita de imediato. Em pouco tempo ela chega com um Big Bob's, batatas fritas e milk de Ovomaltine, tamanho enorme. Uma degustação de lamber os beiços, no sentido literal da palavra. Sentado na cama, lambuzado, saboreou o lanche com uma alegria espontânea e contagiante. Outro fato interessante é a posse do controle remoto.  Símbolo do poder numa casa, é sempre motivo de discussão.  Poucos minutos foram suficientes para notar a preocupação da Érika. Já fala em seu computador e acredita que quando estiver com ele será mais rápida sua recuperação, isto significa que ele está certo de sua capacidade de ler e escrever. Com palavras mais coerentes, mais lúcidas, conversou ao telefone, e  até mesmo já se diverte com sua situação de "atropelado por uma locomotiva".  Hoje foi um dia bem melhor do que ontem, com certeza, amanhã será muito melhor.  Preparem-se, o Byra está de volta.  

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

51/52/53 DIAS - Domingo de sol, praia e hospital.


51/52/53 Dias - Sexta-feira de exames. Além dos normais, para acompanhar o progresso contra a infecção, é encaminhado para uma clínica no Grajaú a fim de fazer uma tomografia do maxilar, também fraturado. Ainda sem o laudo, as primeiras impressões não são de todas ruins e deverá ser tratado mais adiante, como esperado. Está mais calmo e consciente. Na última visita, quando foi feito o filme, pediu que lhe mostrasse suas primeiras fotos. Apesar de seu estado, um tanto deprimido e de poucas palavras, achamos que essa atitude seria positiva para colocá-lo melhor no espaço. Hoje as entregamos e a reação foi melhor do que o esperado. Após o espanto natural veio a frase mais comum dos últimos dias:
   - Estou todo quebrado. Fui atropelado por uma locomotiva...
   Essa consciência de seu caso, de como foi, e de seu estado físico, com a comparação entre 50 dias atrás e o dia de hoje, é a certeza de que estamos no caminho certo. 
   O sábado vem com boas notícias. Apesar da noite inquieta e de pouco sono, sua aparência do "rosto caído", uma sequela comum nas fraturas em base de crânio, reduziu, e como disse a Érika, "ele agora está mais bonitinho". Parece que as noites mal dormidas fazem mais mal a ela do que ao Byra. Durante o dia recebe os visitantes com mais humor mas sem deixar de lado a queixa comum das dores no ombro e no joelho. Reconhece as pessoas com mais naturalidade. Caminha com menos dificuldade, sempre amparado pela Érika, cada vez mais adaptada à situação. E no fim da tarde mais uma alegria quando Byra a ajuda na solução de algumas palavras cruzadas.
  Domingo de sol, praia e hospital. Érika tem que dar uma pequena saída e o Byrão assume na devida prontidão. Novas visitas.  Reconhece a todos, inclusive por nome e apelido. Se entristece com a notícia do falecimento de um amigo comum e atende ao telefone, também pelo nome, de alguns outros amigos. É clara a sua evolução neurológica. O médico vem com a melhor das notícias:
  - A infecção cedeu e os exames estão perfeitos.
   Estão "limpos e puros", saudamos eu e Joésio, em referência às nossas convicções. O médico complementou que faltam apenas três dias para terminar o ciclo do antibiótico e é bem provável que seja então liberado para continuar seu restabelecimento em casa. A cirurgia do ombro, a primeira prevista, será marcada tão logo seu organismo esteja mais preparado, provavelmente dentro de um mês.  Reclamou da vista esquerda, que estava um pouco embaçada, mas mesmo assim assistimos à vitória da "mulambada", digo, Flamengo, e a derrota do Botafogo, o que não o deixou tão triste.  Com a chegada da Érika, que tinha se ausentado por algum tempo, ele pediu para apagar a luz pois queria dormir:
   - Você não sabe o que é deitar e olhar para esse teto branco o tempo todo, parece até que ele me chama, vem...vem ...e se virou.
   Pensei comigo, o cara já está até fazendo piada. Esperamos mais um pouco e na saída, ele me chamou,  acariciou-me e disse:
   - Zé Neto, o Dinei esteve aqui ontem e me disse que estava muito feliz com nossa relação, pois ele e o irmão sempre viveram na porrada.
   Confesso que fiquei meio sem jeito, sem palavras, e ele, rindo, complementou:
   - Mas eu disse a ele que nem sempre era assim...
   Aí foi possível ver que o Byra estava ali mesmo, mais próximo de nós, e bem mais vivo. Dei-lhe um beijo na fronte e fui embora. Foi um belo domingo, de praia, sol, hospital e muita alegria. Amanhã tem mais ...