sexta-feira, 27 de março de 2009

Carioca da Correa Dutra

Nosso amigo Mário (Neves), em suas andanças pela Internet, descolou uma pérola da jornalista e escritora Danuza Leão que nos fala sobre o Carioca. E nós, nascidos em outras paragens, junto com os que ainda vivem no Rio e com aqueles que hoje estão em outros lugares, podemos bater no peito e dizer que fomos, somos e sempre seremos Cariocas da Correa Dutra do Flamengo, do Rio de Janeiro.

O Carioca é o máximo!
Foi como se fosse um desconhecido. Nem vaias, nem palmas.Nada. E nada é pior do que qualquer coisa.
O CARIOCA É mesmo único. Fica íntimo sem conhecer aspessoas; se você telefona para um escritório, atelefonista te chama de "meu amor", se compra um coco na praia, o vendedor te chama de "querida",se pede uma cadeira para tomar sol, vem logo um "é prajá, minha linda". Não é nem preciso dizer que todosse chamam de você e são de uma cordialidade suprema.
Estamos mais do que acostumados a toda essa intimidade. Mas quando é para vaiar ou para aplaudir, não fazem a menor cerimônia. E o curioso é que estão todos, sempre, deacordo. Que seja no Maracanã, no meio de um bloco, ou na avenida, a unanimidade é sempre geral, e nunca existem duas correntes, uma a favor e outra contra. Veja o pobre doNeguinho da Beija-Flor, que levou uma vaia daquelas por ter atrasado 15 minutos o desfile, já que resolveu se casar na avenida.
Isso pelo menos vai evitar que, no futuro, entre uma escolae outra, aconteçam batizados, aniversários e que tais. Masfoi curioso que o carioca, tão espontâneo nos seusarroubos, não tenha tido nenhum tipo de reação àpresença do presidente na avenida.
Foi como se fosse um desconhecido qualquer no camarote do governador -nosso governador, que sempre faz uma pose original na hora das fotos. Nem vaias, nem palmas. Nada. E nada é pior do que qualquer coisa. Para quem, segundo aspesquisas, tem 84% de aprovação popular, seria de seesperar um espetáculo de gritos e vivas ao presidente. Afinal, 84% não são para se desprezar. Pois não aconteceu absolutamente nada.
Não adiantou o chapéu panamá, a animação de d. Marisa,que chegou a descer para sambar junto aos passistas,enquanto os fotógrafos cumpriam seu papel de mostrar oquanto nosso governador, nosso prefeito e nosso presidente são unidos. Ninguém deu a menor bola. Eu, que não entendo dessas coisas, acho que Lula estava em campanha; ele nãofoi ver o samba, mas testar 2010. Já o prefeito foi para aavenida, sambou com as escolas -todas-, mudou a cor da fitinha do seu chapéu para ser simpático com cada uma quepassava, mas também não fez o menor sucesso. Era tudo"fake", e carioca saca essas coisas com incrível rapidez.
Quando Itamar apareceu na avenida, 15 anos atrás, foi umgrande auê com palmas carinhosas de todos que passavam(depois que Lilian Ramos apareceu foi outro auê). Todosqueriam saudar nosso então presidente. Mas desta vez apresença de nossa autoridade máxima foi um fiasco. E d.Marisa deu, enfim, sua contribuição como primeira-dama:foi quando reclamou com o ministro Temporão que não havia camisinhas no banheiro das mulheres. Que beleza, ter uma primeira-dama tão cuidadosa. Depois de tantos anos semdizer uma só palavra, ela perdeu uma boa oportunidade deter continuado muda e calada como sempre esteve.
Foi uma pena nossa jovem Dilma não ter vindo também. Ela teria certamente contribuído para que a indiferençacarioca se mostrasse ainda mais evidente. Aliás, segundoamigos pernambucanos, sua passagem pelo Estado foi embranquíssimas nuvens. Lá também não aconteceu nada. Otrio da alegria -Cabral, Paes e Lula- bem que se esforçou, mas no Carnaval não fez nenhum sucesso.
Permita-me: quá... quá... quá... quá... quá...


Até parece que ela conheceu nossa turma. Parabéns para Danuza Leão e receba nosso post como singela homenagem.

Drinks & Kibe


Danuza Leão (Itaguaçu, 26 de julho de 1933) é uma jornalista e escritora brasileira. Irmã da cantora Nara Leão, foi casada com o do jornalista Samuel Wainer, fundador do extinto jornal Última Hora.
É autora de livros como Na sala com Danuza e As aparências enganam. Atualmente é colunista do jornal Folha de São Paulo, Danuza Leão .
Em 1992 obteve um grande êxito editorial com Na Sala com Danuza. Em 2006, lançou sua autobiografia Quase Tudo.
É mãe da artista plástica Pinky Wainer, do jornalista, já falecido, Samuel Wainer Filho e de Bruno Wainer, empresário do ramo de distribuição cinematográfica.
(fonte: Wikipédia)

terça-feira, 17 de março de 2009

Ouvindo jazz com Ismael da Silva Barbosa

Rio que mora no mar
Sorrio pro meu Rio que tem no seu mar
Lindas flores que nascem morenas
Em jardins de sol
Rio serras de veludo
Sorrio pro meu Rio que sorri de tudo
Que é dourado quase todo o dia
E alegre como a luz

Rio é mar,
Eterno se fazer amar
O meu Rio é lua
Amiga branca e nua
É sol, é sal, é sul
São mãos se descobrindo em tanto azul
Por isso é que meu Rio da mulher beleza
Acaba num instante com qualquer tristeza
Meu Rio que não dorme porque não se cansa
Meu Rio que balança
Sorrio, sorrio, sorrio, sorrio, sorrio

Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli

Cá estou, ouvindo mais uma música de nosso infância. No auge da bossa nova e do surgimento de exponenciais da música popular brasileira. Tom, Vinícius, Menescal, Bôscoli, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas, Luizinho Eça, Tamba Trio, Baden, Leny Andrade e tantos outros que embalaram sonhos e juras de amor de nossos pais.
Época de tradução da corrente jazzística americana que circulava o mundo. O Brasil trazia uma linguagem diferenciada, uma cadência musical com um balanço típico da malemolência da mulher carioca...sempre tão belas e podemos dizer sem timidez....gostosas. Isto fazia e sempre fez a diferença.
Mas o que isto tem a ver necessariamente com o título deste texto? Simples. Falar de jazz e bossa-nova nos faz lembrar de Ismael – nego cestoso, sempre com um olhar perdido no horizonte, profundo conhecedor de jazz. Amigo leal, que sempre que alguns de nós precisamos fomos atendidos.
Sua ligação com a música vem de família. Seu irmão Anael era pianista e tocava em uma boate, lá no Beco das Garrafas, reduto jazzístico e berço da bossa nova. De gosto musical refinado, Ismael apresentou-me a alguns monstros do jazz, o que me influenciou bastante na escolha de minha coleção de LPs. Músicos como McCoy Tinner, John Coltrane, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Ornette Colemann, Stan Getz, Stanley Clark, Herbie Hancock e tantos mais. Das divas...ahhh! As divas, a cantarem e me encantarem com suas vozes roucas, sofridas, deixando a melodia dominar minha alma. Nina Simone, Dinah Washignton, Billie Holliday, Alice Coltrane, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e mais...e mais...
Dos músicos brasileiros, a nata se fez presente nos anos 80 e os ouvíamos em horas intermináveis iniciando logo após a praia e entrando noite adentro, esvaziando dúzias de Boêmia, que íamos buscar lá em Petrópolis, na fábrica. Importante dizer também, que inauguramos uma moda de beber conhaque Pedro Domecq com soda e muito gelo; e isto era o combustível que nos mantinha acesos curtindo aueles momentos de educação musical.
Mas voltemos ao Ismael, mesmo que não o tenhamos perdido de vista. Txisma, como as vezes o chamávamos, depois de sei lá quantas cervejas, tinha o costume de dormir bebendo. É. Isso mesmo que voce está lendo. Dormir bebendo. Ele fechava os olhos e se desligava. A cerveja era sorvida lentamente para não derramar e por mais que os chamássemos só ouvíamos...”huuummm...huuumm....” seja lá o que isso significasse. Hilário...não...melhor...Ismael da Silva Barbosa.
As noites de domingo (já no finalzinho, tipo 10 horas) eram concorridas, pois tínhamos a certeza que Flora, sua esposa na época, lá estava a preparar as iguarias mais fantásticas pra que ele passasse a semana. Ah! Sim. Importantíssimo contar direito esta história. Santa Flora como carinhosamente a chamávamos, era uma daquelas bainas volumosas, iguais as que encontramos no Pelourinho, cozinheira de mão cheia, trabalhava na casa, do então, ministro da educação Celso Portela; e por isso passava a semana toda na casa dele; mas no sábado a tarde ia pra casa, e reservava o domingo para cozinhar pro Txisma (Ismael) e ele passasse bem a semana. Ora, sabedores disso, nossa visita tornou-se frequente nas noites do domingo, depois dos passeios com as namoradas. Um freezer abarrotado de cerveja Bohemia nos esperava, e os mais deliciosas pratos chegavam fumegando à mesa: bobó de camarão, peixe frito, muqueca de peixe, arroz de polvo, empadões, arroz, feijão com paio, etc..etc...etc...
Na vitrola, Simone cantava a “Cigarra”; Elis entoava “O bêbado e o equilibrista”, Gonzaguinha a cantar “Começaria tudo outra vez”, Marina, arrebentava cantando “Full gas”, Milton Nascimento, com o “Calix Bento”; Chico com “Vai trabalhar vagabundo” e muitos e muitas jóias da MPB nos acompanhavam naquelas noitadas domingueiras.
Ismael hoje está um tanto afastado de nós. Residindo, ora em Araruama, ora na Tavares Bastos, naquele mesmo “predinho” de esquina, onde morou Ciro Monteiro (grande sambista carioca que alguns, creio, não se lembram mais). Continua “estranho” depois da quinta latinha...huuummm.....huuummm....Mas continua com o mesmo coração amigo de sempre.
Um brinde ao Txisma!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ventos e chuvas de março

“Andar por andar, andei; e todo caminho deu no mar”. Ouvindo Dorival Caymmi, deixo aflorar em mim um sentimento de melancolia. Sentado na poltrona, fico olhando o céu de Brasília e me imagino voando neste azul...Ah! Busco em mim resolver mistérios. Busco em mim, aquele que um dia saiu do Rio de Janeiro para ir do outro lado do continente africano...só pra molhar os pés no Oceano Índico. É claro que não foi só por isso. Mas não é tão claro, o porque de vir pra Brasília. Só sei que vim.


Hoje, de mim, tenho meus três filhos. Que preenchem meu coração com alegria, que me emocionam nas suas manifestações de carinho e de amor filial. “É dia de festa!” diz Juliana, com 9 anos, que ao amanhecer me acorda com um café na cama – bonitinha! – trazendo salada de frutas (banana, maça e mamão) que ela mesma preparou, e um bom copo de mate gelado que todo carioca merece. Os mais velhos sorriram e me abraçaram, mais comedidos, mas com o mesmo sentimento de carinho.


“Vai, velho babão!”, poderiam dizer alguns. Mas quem não o é. Me lembro de meu pai a me levar a “descobrir” o Rio – o Catete – principalmente. Saíamos a pé da Correa Dutra, subíamos a Pedro Américo e íamos até a última casinha lá no final da rua. Tenho uma tia que ainda mora lá. Bebíamos um copo d’água, meu pai bebia um café na canequinha branca de flandres e seguíamos em nossa excursão morro acima. Chegávamos a Santa Teresa e íamos caminhando e conhecendo alguns lugares. Para mim aquilo era uma coisa fantástica. A vista da Baía de Guanabara se apresentava majestosa, a banhar esta cidade maravilhosa encrustrada entre o mar e a montanha. Parávamos em um boteco. “Pai, vamos beber um negocinho?” Aos 6 anos já era um prenúncio de uma prática tão comum entre nós. Nem me lembro o que meu pai bebia naquela época, mas eu me deliciava com um guaraná caçula da Antártica e um bolinho de bacalhau lá no Curvelo. Depois caminhávamos ladeira abaixo e chegávamos a Cândido Mendes. Mas uma paradinha, desta vez para atendê-lo em mais uma dose e continuávamos até o Largo da Glória. De lá, seguíamos rumo a Correa Dutra, ponto de chegada de mais uma aventura a conhecer o bairro onde morei tantos anos. São coisas que marcaram fundo minh’alma e tenho feito isso com meus filhos, dado mais de mim a eles, contando minhas aventuras infantis, adolescentes e de jovem.


Aniversário é coisa que a gente devia fazer, pelo menos uma três vezes por ano. Ah! Como é bom comemorar com os amigos, caramba! Como é bom poder receber tantos parabéns e votos de saúde, carinho, beijos, abraços, se sentir o mais importante daquele dia. Se sentir mais querido.


Março é mês de alegria. As quaresmeiras estão floridas em Brasília, numa explosão de tons de roxo e rosa a decorar a paisagem. Talvez seja, para nos trazer alento. Talvez seja para nos lembrar que na vida há flores, apesar de às vezes nos depararmos com alguns espinhos.


Março é mês de chuvas. É mês de lavar o que precisa ser lavado e levado do verão. O vento que por aqui sopra neste mês, vem trazendo a esperança de um renascer, vem trazendo uma nova de alegria em meu ser.


São as águas de março fechando o verão e a promessa de vida em meu coração....



CK

quarta-feira, 4 de março de 2009

O mês de Março

Chegamos ao mês de março, e nossos parabéns vão para uma turma bem especial. Logo no primeiro dia nos deparamos com um dos craques do Sede Velha: Renato Rivelino, o Orelha, Dumbo e outros títulos carinhosos que lhe foram tão peculiar (fotos de um famoso acampamento em Mar do Norte / Macaé).

Renato, ou melhor, Riva, poderia ter tentado seguir o futebol profissional, sobrava na turma, mas não era o que poderíamos chamar de atleta. Era na realidade um muito digno peladeiro. Gostava, e gosta até hoje, de uma verdadeira pelada, e nada de compromissos mais sérios.
Bancário, começou a trabalhar cedo e não demorou muito se afastou do Banco e montou com o Márcio (o Bruxa) um pequeno chaveiro, negócio que com o talento da dupla cresceu de forma espantosa. Hoje, afastados da sociedade, cada um cuida de suas chaves.

Paralelo ao sucesso profissional, Renato casou e descasou, casou novamente e gerou uma prole de seis filhos, todos em convívio pacífico e frequentadores da Correa Dutra.

No dia 2 quem aniversariou foi o Dr. Antero, e para nossa alegria, junto com sua família e o inseparável Sérgio Falcão comemoramos esta data com muitos drinks. Bebemos cerveja e acabou. Tomamos Amarula e também acabou. Passamos para o Whisky e não deu outra, então fomos embora antes que nós nos acabássemos.

Anterão e Boca Virgem, foram codnomes de nosso amigo ao longo de sua juventude, que foi bem movimentada e culminou com sua preferência em atuar fora dos gramados e junto aos bisturis. Estudou muito e após algumas tentativas, em claro exemplo de perseverança, passou para a Faculdade de Medicina. Formou-se, iniciou seus trabalhos no Flamengo e com muito sucesso fez um excelente estágio nos EUA. Em seguida ganhou experiência no futebol árabe e depois de muito refletir, e algumas decepções, optou por atuar longe das quatro linhas, embora não afirme que não mais voltará.

Antero, depois de algumas aventuras, casou-se com uma amiguinha dos tempos juvenis: Verônica, irmã da Valéria, ex do Byra. A família completa com Matheus, atleta que cada dia ganha mais espaço no waterpolo e os gêmeos Renan e Gigi.

No sábado, 7 de março, aniversaria nosso parceiro Luiz Cláudio, o Kibe. Um cara que depois de mais de vinte anos reaparece em nosso convívio e deixa transparecer muita coisa em comum, o que fez com que nos juntássemos para montar esse espaço que hoje curtimos.

- Meu amigo, sem você, não teríamos o sucesso da Paella Fiesta e de nosso blog. Muito obrigado pelo que já aprontamos e pelo que ainda iremos fazer.

O Cláudio, com seu espírito aventureiro, bem jovem foi parar na África (e voltou correndo ...) e logo depois foi para Brasília (caramba, que opção...). Se adaptou à capital, e para variar, casou e descasou. Pai de 2 filhos, casou novamente e foi brindado com a linda Juliana. Infelizmente, depois de 10 anos, o Kibe novamente se separou e passa por aqueles momentos difíceis, mas sabe que dessa feita os ombros de seus amigos da Correa Dutra estão mais próximos para confortá-lo. Conte com a gente e nós contamos com você.

E para fechar o mês de março, por enquanto, até que alguém mais se manifeste, no dia 10 não podemos esquecer de dar os parabéns para Jorge Cachórros. Um vizinho da Correa Dutra, que junto com os irmãos se integrou de vez à nossa turma, ao ponto de casar com Estela, uma das poucas e disputadas meninas da Correa de baixo.

Cachórros (até hoje não sei o porquê do apelido) era outro dos craques de nossa geração. Um tanto folgado, provocador, mas bom de bola. É outro que apostaríamos em seu sucesso no futebol, mas o Cachorrão não seguiu em frente e foi cuidar de seguros.



Não temos muitas histórias para contar a seu respeito pois o contato era pouco, mas foi o suficiente para manter uma amizade sincera e duradoura por todos estes anos.

Agora é com vocês. O blog está aberto para os parabéns, fofocas e histórias a respeito de nossos amigos, desses e de outros, que por acaso também fazem aniversário no mês de março e nós ainda não sabemos.

Um PARABÉNS bem grandão para todos do mês de março.

E um até breve, pois para abril, novos aniversariantes em pauta.